quarta-feira, 9 de julho de 2014

Querido Richard
Aqui repouso após meu primeiro voo
Para compartilhar o ar da glória e a dor da alma.
Minhas asas cresceram Richard
Visíveis para todos os mortais.
Foi divino e terrível Richard
Porque estive entre eles toda essa vida
E quando eu chorei Richard,
Minhas lágrimas desceram a terra
Mas meus olhos buscaram o céu.
Durante anos rastejei Richard
Sob frios olhares rastejei
E quando me contorci em escuridão
Ninguém me hospedou
Adoeci Richard
Mergulhei em dor e trevas de solidão
Escondi-me Richard longe de tudo
Mas amanheceu e eu vi o sol
Vi as asas de um grande anjo
Na infinita parede de tábuas
Eu vi a luz!
Então minhas asas rasgaram a pele
Cresceram em alívio
Alívio de alma e coração.
E eu voei Richard
Lancei-me além dos rochedos
Em direção ao mar
E o mundo abriu-se em luz e ondas
E fantásticos sons
Que anunciando uma nova vida
Levaram-me mais e mais alto.

Minha ingenuidade me fez pousar
E caminhei de novo entre os homens
Foi grande o martírio
E intensas as dores
Julgaram-me um monstro
Desejaram-me a morte
E nada quiseram ouvir de mim.
Banido
Como antes
Vivo
Como nunca
Em voo
Para sempre!

Setembro


terça-feira, 17 de junho de 2014

PARTES


Viver é, sobretudo, partir
Partir o elo que te prende
O umbigo que separa bruscamente
O  início da vida
O início da morte
Para morrer a covardia basta
Para viver, somente tem que ser forte
Viver é força bruta
Brutal contra a própria morte
A vida é um jogo bruto em oculto azar e sorte
Sobreviver é manter-se alheio sobre a alheia morte
Manter-se frio à beira do abismo
Vendo passar por si a fúria cada vez mais forte
Jogando no precipício sem fim mais uma vida
Que agora é morte
Partida
Parta para a vida
Conte com a força, esqueça a sorte.

HYEDA DE MIRANDA CAMPOS 01-06-2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014


João de Deus fez um discurso perfeito
Fez um percurso decente
Viveu o que achou direito
Cumpriu sua parte.
João de Deus foi sepultado vivo
Quando caiu no abismo
Onde enterrara a ARTE.
Ambos sepultados não ressuscitarão para o Juízo
Uma vez que as atitudes do João não cobrirão o prejuízo
Nem sua condenação, nem a má sorte da ARTE 
De edificar uma cidade, guiar um povo, abrir um caminho
E deixar que a ignorância floresça em toda parte
Que os livros sejam esquecidos
A boa música silenciada
Os ideais ridicularizados
E a intelectualidade fora de moda retira-se da roda
Dando espaço ao que é comum
E se o comum é tosco e vulgar
Aqui mesmo é o seu lugar!
Seja bem vindo à destruição! 
Entregue seu cérebro à corrupção!
João de Deus às portas do paraíso
Fechadas... e isso é mal
Do lado de dentro Michelângelo comenta sua insatisfação
Quanto à restauração do Juízo Final.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Engano

Recaiam sobre mim agora
Todas as pregações e teorias
sobre libertar-se do passado
E eu direi
Que todas as suas escolhas inocentes
Toda a sua fé depositada em carta branca
Toda sua ingenuidade
Virá como fogo avassalador a te destruir
E que ninguém terá piedade de ti
E de nada te servirá sua bondade
Senão para aumentar sua condenação.

Quisera eu ter rasgado o modelo
Tão logo me foi mostrado
Melhor seria a nudez total
Que as cicatrizes mal curadas
Internamente apodrecidas
De um sentimento tolo e unilateral...

Malditos sejam os que cultivam sentimentos em vez de moedas
Malditos os que sorriram e abraçaram sinceramente sem apunhalar
Sem calcular o lucro oferecido pela ignorância alheia.

Malditos , mil vezes malditos, os que disseram amar
Porque enganaram a si mesmos
E agora padecem nas trevas.

HYEDA DE MIRANDA CAMPOS

20-02-2014

terça-feira, 25 de março de 2014

Defeito = ou # de efeito

Pane!
Pânico!
A máquina diária hoje apresentou defeito
Vomitou tinta de cor estranha
Tinta peculiar
Defeito!
"Imagine uma máquina
que tenha seu próprio jeito..."
Impossível!
 Máquina não tem peito
não tem personalidade
não sabe o que é respeito.

Máquina é a engrenagem e sua manutenção
Não tem sangue, cérebro ou coração.

- Se alguém como você se parece com uma máquina?
-Oh! Claro que não!

Imagine se ao olhar seus erros... tão curvos no gráfico da vida...
Sua genialidade mórbida não os justificaria em forma de cifrão?
- Veja que sim! Saiba que não!
Agora é preciso limpar a tinta derramada
Pois o segundo turno começa ao meio dia
limpe tudo, sem deixar vestígios
E não dê ouvido à Poe$ia

CAMPOS , Hyeda de Miranda.

sábado, 23 de novembro de 2013

Poe$ia

Poetas não têm relógios
Por isso são tolos
Tolos e livres
Dos limites e consequências do tempo.

Poetas não têm patrimônio
Senão sentimentos
Sentimentos sem sentido
Sem nenhum valor no mercado.

Poetas não se importam com um lugar ao sol
Se encantam somente com a lua
lunáticos por devoção
Em diferentes fases de solidão.

Poetas não fazem cálculos
Porque são um, sem par,
Em busca do inexistente,
De forma que nunca serão dois!

Poetas não têm limites
Dão crédito aos seus próprios sonhos
Juram amor eterno
E a este doam todos os seus dias.

Que vantagem há em ser poeta?
Dar-se a essa tola e vã filosofia?
Que vantagem há em nada ser?
Em nada ter, senão a poesia?

POETAS têm almas preciosas
Cuja sensibilidade não se pode contabilizar.
Belos, raros e efêmeros como as rosas
Seu breve e eterno momento
Consiste no verbo AMAR.