domingo, 10 de abril de 2016

CIPOESIA


2016




O cenário mágico de Camila, A Dama do Vale...

e um novo elenco...


Sara Carolina, Victor Rabelo, Rodrigo Estevão, Black Pio, Nayara Polyana, Nelma Ribeiro,
 Nathalia Carvalhais e Simone.

" Meu coração é um campo minado / muito cuidado/ ele pode explodir"


OS QUE SEMEIAM SONHOS
TORNAM-SE 
IMORTAIS!



Com João da Viola e Nelma


Eis a foto de tantos fatos
O amor nos nossos atos
E o brilho de estrela que Deus nos derramou
Porque certos corações têm bastidores
Pouca luz e muitas dores
Mas a nossa alma é palco
De canções e cores
Onde o espetáculo da vida apenas começou.

Amo vocês!!!


Com João da Viola e Gabriel Guedes

...


terça-feira, 5 de abril de 2016

Castro Alves

169 anos


Desde a travessia dos mares e das noites
Dos gritos da escravidão
Da chibata e do açoite
Do engenho sem coração

Desde que a escuridão encheu os olhos
Daqueles que não amanheceram
Depois de muito lutar
E gravou seu canto no vento
Nos braços em movimento
Contra canaviais a derrubar

A mais de um século
Repete-se o eco libertador
De filho, pai e avô
Mãe preta, Sinhá, Senhor
Se a vida não muda a cor
Na pele perdura a dor

A fúria e a euforia
A caminho do mar sem norte
A tão sonhada alforria
A volta, a fuga, a morte!

E o eterno abolicionista
Faz da juventude seu patamar
Da poesia sua arma
E da Casa Grande o seu lugar

Castro Alves escreveu além do tempo
Poesia e emoção ao mundo inteiro
Trazidas nas velas do triste lamento

Do seu eterno Navio Negreiro.

sábado, 2 de abril de 2016

LUZ EM SOMBRA


Preciso de alguém
Que ao me ver voar
Lance
Em vez de pedras
Um olhar profundo
Convencendo-me de que tenho onde
E porquê pousar

Alguém que me olhe caminhar
E não sinta pena de mim

Que não tenha medo do meu percurso
Nem tente sinalizar minha direção
Mas brilhe naturalmente
Até que eu deseje
Andar na luz.

                                                                                       Betim- 02 de setembro de 2004

segunda-feira, 28 de março de 2016

RODRIGO

RODRIGO

És a gaivota a espera do amor
O pássaro dançante
Que prepara cada uma de suas penas
Para reluzir
Ao toque do suave vento.

És a escultura que se move
A mão que estraçalha
O hálito que gela
Os pés que subestimam o chão.

És a máscara
Que revela todas as verdades
Tens a arte da veracidade
E aos que animas
Enches de glória.

Suas sombras são luzes
Seu seco lago é vidro onde te espelhas
E aos fantasmas do seu coração
Doutrinas
Pelo fogo do sol
E o brilho das estrelas.

07-10-2007

terça-feira, 15 de março de 2016

sábado, 12 de março de 2016

BOM DIA

BOM DIA

Não sei o quanto durou essa noite.
Foi escura, eu sei.
Em minha memória cabe ainda o por do sol.
O vento que parecia se despedir do mundo,
Era engano...
"Soprava vida"
Diziam os embragados da despedida,
Rodeados de terra e dor.
Diziam ainda que não era preciso pressa, pois,
"A chuva não cairia antes que tudo terminasse".

Houve na despedida promessa de reencontro.

Amigos são assim,
Capazes de coisas impossíveis.
Amigos são assim,
Possuidores de escandalosa luz
Nas pupilas dos olhos castanhos
Dos olhos chorosos.
Amigos são assim,
Te tomam pela mão
E atravessam a linha do tempo.
Te devolvem ao passado com alegria,
Te conduzem a um futuro
De esperança e carinho.

Nem sei o quanto durou essa noite
Foi escura... eu sei.
Memoráveis pregações falam ao meu ser:
"Não deixe que o sol se ponha sobre a tua ira"
E minha poesia reforça e insiste:
Que haja amor no pôr do sol
Que haja amigos para te fazer feliz.
E quando se faz noite, sonhe com eles,
Sem nunca perdê-los de vista.
E se você chorar, não tenha medo.
Amigos são assim,
Capazes de coisas impossíveis!


Do livro Mestria do Olhar- Litteris Editora- 2006
Poema feito para Giordani Oliveira

quinta-feira, 10 de março de 2016

MULTI

MULTI

Que de tanto ser, inexisto.
De tanto subdividi-me, multiplico;
De tanto definir-me, me complico;
De tanto duvidar, certamente erro.

Porque parte de mim grita
Contra a que se cala;
Porque pouco de mim.
Ouve, em silêncio,
O que o restante fala.

Porque parte de mim
Parte e regressa a toda hora;
Porque em parte acolho
E em partes deixo ir embora.

Assim pouco de mim restante
Muito de mim mundo afora
Tudo de mim, sentimento...
Sentir e ser agora.

Porque em mim há dor e cura
Em mim, lucidez e loucura;
Em mim dias de sol,
Tardes de chuva,
Noites de lua;
Em mim jardins, cárceres, torres e ruas.
Tempestade de areia, brilho de pérolas...
Portões de aço,
Gotas de orvalho,
Brisa!

Em mim o que se deseja,
Impõe ao que se precisa.
A mão é dominadora,
A emoção, indecisa;
A alma alada e sonhadora;
A razão que avidamente se enraíza,
Alimenta a dissonância
Reproduz a harmonia
Decifra minha múltipla essência
Mutante a cada novo dia.

Porque para definir-me, existo;
Para transformar-me, questiono;
Para unificar-me, me divido
E por nada ser
Há em mim
De tudo.





Livro MESTRIA DO OLHAR
Litteris Editora - 2006