segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ainda

AINDA

Quero partir
Sem fazer as malas
Partir de alma
E pés descalços no chão
Onde já não há raízes

Perdi
Perdi meu tempo
Perdi o rumo
Mas os sonhos
Esses não se foram

Canções os ressuscitam sempre
Mesmo quando o corpo já não dança
E dançar foi o maior dos sonhos
Dos pés descalços no chão
Passos e cicatrizes

E no espelho quebrado
Os personagens mais belos
Lágrimas e rugas
Para a menina da foto
De muito tempo atrás

Para as páginas em branco
Um atestado insano
De quem não quer o mesmo
Nem o eterno, nem o novo

De quem desdenha o próprio poema
Sem vinho, sem pão, sem povo
Poeta sem amor nem tema
Rogai por si mesmo de novo!

Parti sem mala, sem chão
Chorai poema, sonhai canção
Talvez sua alma bailarina
Alcance a imensidão
Antes disso, viva ainda
Para treinar a travessia
Porque a vida acaba

E ainda fica a poesia.

Amor Cristão

AMOR CRISTÃO

Mãe Corina de todos
De todos os sonhos desfeitos
Que renasceram
De toda esperança perdida
Que floresceu em ensinamento
E luz

Mãe Corina de todos
Que deu ouvidos a voz da razão
Ao eco dos que clamavam em silêncio
Em oração

Mãe Corina de todos
Que estendeu as mãos
E abriu caminhos
E enfrentou espinhos
Sem temer

Mãe Corina de todos
Que no livro da vida
Escreveu uma história de amor
Que a caridade graduou seu ser
Em espírito de ensinamento e louvor
Gratidão dos que caminham
E te podem seguir
Seguir exemplo de luz e doação

Mãe Corina de todos
Que o amor resista infinito
Como em seu infinito coração
Para que ouçamos os clamores
Que de perto nascem em oração
E que abramos os braços
E estendamos a mão
Que façamos o bem e a caridade
E que sejamos irmãos

Filhos do amor de Mãe Corina
De todos

De todo amor CRISTÃO.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

07 de janeiro - Dia do Leitor



Mais um ano que se passa e continuo nas trilhas da literatura.
Muito a agradecer a todos os leitores!
Agradecimentos aos que me acompanham e abrem espaço para o meu trabalho!
Aos que acreditam na importância da leitura e fazem sua parte para a transformação através dela.
Muito obrigada!

Hoje vou destacar o trabalho literário do poeta J. Padeiro onde o tema, desta vez, sou EU.

HYEDA: Escritora, poetisa, etc

Hyeda, para quem não a conhece,
Parece ser até uma pessoa qualquer.
Simples sim, mas não é o que parece,
Existe grande tesouro escondido nessa mulher.

Quem vê nela, só o derivado do magistério,
Não percebe o que ela carrega na mente.
Grande saber, mantido em peculiar mistério,
Cultura que sobrepuja, encanto envolvente.

Destaca-se admiravelmente na literatura,
Porém, não pára por aí a sua cultura.
Obriga-se a distanciar-se por uns momentos,
Oculta o real valor do seu talento.

Talvez seja artimanha do destino,
Encurralá-la no campo do ensino.
Ri-se desdenhosamente do próprio salário.
No teatro, ou na arte poderia ser contrário.

Hyeda, já descarregou em vários livros,
Um pouquinho de sua grande bagagem.
Porém, para conseguir afinal, seu objetivo
Precisa de muito dinheiro, e muita coragem.

Fé em Deus, vá em frente mulher guerreira!
Não pasme, não hesite ante a crise brasileira.
Procure mais luz, com o Pai do conhecimento,
Para não ver afogado, teu grande talento.

Busque na plêiade, entre celebridades,
Mostre entre famosos, tua luz, tua estrela.
Desponte-se ante a platéia com humildade.
Permita que leigos, também possam vê-la.

Jorge Gomes de Brito 
J. Padeiro - 24-11-2015


 Escola Estadual Santos Carvalhais no 
V Café com Poesia, 
" Café Sabor Poesia de Minas" em 01-08-2014.


 Obrigada Escola Santos Carvalhais pelo carinho!


Amamos!


sábado, 24 de outubro de 2015

Cantiga da roda da vida

                                 O poema Cantiga da roda da vida foi escolhido para integrar a Antologia Literária Grandes Escritores de Minas Gerais pela Litteris Editora - 2001

 
Também integra o livro Mestria do Olhar - Litteris Editora - 2006


 
Sentado na calçada
O homem de barbas longas
No olhar que se perde pela rua
Deixa o pensamento ao léu.

Mostrando-se na janela
A moça de tão rara beleza
Com sedução e sutileza
Levanta do rosto o seu véu

Andando pela rua
Uma criança indefesa
De olhar reluzente,
Não sei se princesa
Ou príncipe valente
Fantasia cavalos alados
Que a levem até o céu.

Feirantes e contadores de histórias
Tecem redes dos seus fios de esperança
Encantadores de serpentes
Carregam consigo desafios de criança.
 

Mulher bonita com vaso de barro
Joias multicores e laço na trança
Relembra a noite
Passada a meia luz
Regada a vinho, música e dança.

Noites na taverna
E dias de luta
Sob o sol escaldante
Na roda da vida
A ânsia eterna
De seguir adiante.

O homem de barbas longas
Volve seu olhar de forma apressada
Ouvindo o repique da moeda
Que cai pela calçada
Ainda menos que a vida
Ela tem duas faces
E nunca é desprezada.

A moça da janela
Tem nos olhos o brilho do amor
Seu coração nao mais se esconde
E sua beleza ao sol se revelou.
Se um dia foi sonho distante
De não se sabe onde
Hoje em realidade
Seu desejo se transformou.

A criança de olhar reluzente
Chama-se agora ¨gente¨
E tem os pés firmes no chão.
Olha o feirante, a moça bonita,
O velho barbado...
E à mulher da taverna estende a mão
E para contar sua história
Deitam-se na rede
Tecida com o vigor da juventude
Arrematada com fios de ilusão.
 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Atu@arte

O projeto Atu@arte nasceu da ideia de produzir videos poemas. Possibilitar uma nova linguagem artística para os textos, uma vez que o Grupo Teatral Heros faz performances ao vivo, resolvemos tentar o estúdio e como novidade é o que mais gostamos, gravamos ao vivo... virou festa, virou arte...

O poema SOU do livro Sombras do Rio de 1993 pelo Grupo Teatral Heros:


Minha filha, com apenas 4 anos, recitando trecho do poema Rio Abaixo do livro TERRA




Uma boa semente dá lindos frutos, e foi assim que a Lavigne, aluna da Escola Estrelinha do Saber e da Professora Rafaelly , juntamente com as Estrelinhas do I Período, realizaram esta maravilha!



MARGINAIS

Trata-se de um conto escrito no ano de 1997 do qual foram feitas apenas 100 cópias.
De tantas formas tomadas por este, acabou ficando sem forma alguma.
Fizemos uma série de vídeos para o lançamento, esta foi completamente perdida.
Ensaiamos uma peça teatral que nunca aconteceu.
Em noites de solenidade onde meus outros trabalhos foram mostrados, o conto foi simplesmente mencionado como obra de 1997.
Os textos de abertura e encerramento do livro foram sintetizados e recitados por Diana Cristina, numa performance que evitou o total esquecimento do mesmo.
Foram muitas as idéias, mas nada deu completamente certo.
Com a era digital, foi desenvolvido um belíssimo trabalho de ilustração visando o Power point que rapidamente já estava ultrapassado.
Resolvemos, eu e a ilustradora Marta Barbosa, manter o trabalho no ar para que deixasse de ser apenas uma menção e pudesse ser visto por todos.
Então, senhoras e senhores... respeitável público leitor... aí está  o conto MARGINAIS de 1997.








PRIMAVERA

O poeta desce pela escada
Senta-se diante da janela
Lá fora a lua
A torre
E as montanhas
A desenhar no céu
Intransponíveis limites

Cai a noite
Escondendo a torre
Destacando a  lua
Que do céu muda de cor
As linhas montanhosas
Que continuam a nos limitar

A torre parece tocar o céu
Daqui sei que envia sinais
Para muito além das montanhas

Agora as luzes amarelas colorem a paisagem
Que se completa com as motos e seus faróis
Carros rua acima, montanha abaixo

As casas cheias com acender e apagar de luzes
O rio agora como um fio
Iluminado pela lua cheia e tão alta
Segue lentamente o pouco que lhe resta do leito
E nem faz mais barulho

Este som é das primeiras cigarras da primavera
Sapos, grilos, talvez conversem com ela
Eu apenas me deixo envolver no vento fresco
Que sentada na escada
Recebo de presente pela janela.

                                                       
                                                         Rio Vermelho, 26 de setembro de 2015